«No início do século XIX já não existiam as chamas da inquisição, mas ainda se acreditava na salvação das almas. O Estado condenava os presos mais perigosos ao silêncio total. Um inferno com freiras à volta e manicómios construídos paredes-meias. Vários passaram-se para o lado de lá. Enlouqueceram nesse abismo. Cada passagem do isolamento para o hospício mobilizava população, ministros, bispos e bobos da Corte. Aplaudiam o espectáculo da salvação das almas. Como antes vitoriavam os gladiadores. Todos culpados. Como estes, os de hoje. Os que de açaime nos fariam voltar à rua. Regressar a casa com a consciência limpa. Mas mais humanos do que nunca. E a precisar de ser salvos por outros como nós.»
Luís Osório
Texto do Sol:
"Nos subterrâneos existe esperança e futuro"
http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=73046&opiniao=Opini%E3o
"É como a metáfora do comboio. Sabemos que podemos ter uma oportunidade em mil de o apanhar, mas a oportunidade só poderá ser real se todos os dias estivermos na estação. Podemos ficar uma vida em espera, mas valerá mais isso do que não esperar coisa alguma."
Sem comentários:
Enviar um comentário