terça-feira, 30 de abril de 2013

«não contem comigo»

Um dia de sol

«agora sou eu que escrevo com uma folha
branca na mão e um cravo encarnado so
bre a secretária não vá ser necessário
riscar o verbo na primeira pessoa
- és tu que falas –
dizem.me do outro lado da página como
se necessário fosse uma voz de comando
em dia de celebrações
fora o som dos disparos não disparados
que me assola o corpo teria quase a certeza
que a história é um hipotético ponto de coinci
dência entre o casuístico e o imprevisto
-livre arbítrio –
dirão os senhores dos manuais aos quais dis
ponho a minha desagradada falta de vontade
pelo formal quando os vejo sobrevoando um
território de palavras ocas e desprovidas de
qualquer significado inseridas num
estado de permanente esquizofrenia de que me
desassocio não vá o diabo tecê.las
um ruído contínuo torna.se cada vez mais níti
do e a deslocação dos corpos provoca no meu
campo visual um atrofismo de sentidos
-emparveci –
escondida por detrás de uma sílaba ou disfar
çada num claustro de inverosímeis verdades
onde a ignomínia dos senhores da selva que
tão convictos dos seus super EUS falam uma
linguagem muda só entendível pelos iguais
( enquanto ) nós
povo
entregues à metamorfose errática dos
seres
tornamo.nos voragens ou números finitos que
em flashes sobrepostos vamos consentindo o
roubo do tempo dos ideais dos sonhos e aos
loucos consentimos
o esvaziamento das memórias
rebanho caído na terra
habitamos a farsa o erro a corrupção
e
-sabendo porquê –
adoçamos o ninho de víboras que alimenta
a desumanização
não contem comigo .demiti o silêncio»

Gabriela Rocha Martins


Entre amigos

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