terça-feira, 30 de abril de 2013

dissertações sobre a vulgaridade de ser (amigo)

julguei que ser amigo era mais

do que estar à espera de um abraço

de estender a mão ao encontro de outra

de percorrer ,em conjunto ,a mesma estrada

de sentir na penumbra o barulho da tarde que cai

de nos precipitarmos ,lentos ,em direcção ao medo

de inventar o nome de um livro escrito a várias mãos

de lembrarmo.nos que ,inevitavelmente ,todos falhamos

de apagar os juízos obstinadamente colados a falsas lisonjas

de fixarmo.nos na experiente partilha de um saber accionado

sabendo que os sublinhados e os itálicos são parênteses do ócio

que não se reconhece quando esquecemos o gosto das coisas simples

Gabriela Rocha Martins En route pour Belgique

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