Daqui vejo tudo o que se passa na minha rua...
Vejo... O homem dos gelados, que os vende á porta da escola...
Vejo também os miúdos a roubar fruta na mercearia...
Também consigo ver os homens na oficina a bater chapa todo o dia ...
Vejo as velhas tagarelas a cortarem na vida alheia...
De vez em quando olham de soslaio cá para cima...Pobres velhotas é para o que lhes dá...
Vejo agora o vizinho da frente no andar a cima de mim...Imberbe amancebado, esbogalha-se todo na minha figura seminua...
Finjo ignorá-lo...Todos os dias me telefona...Voz tremula, rouca, indecisa, consigo vê-lo daqui com aquilo na mão, agrafado nas orelhas, alternando-as...
Todas as manhãs o padeiro chega á mesma hora...Hoje não o vi...
Dormi mais do que o costume...
Ontem fui dançar, estou toda partida...
Os betos não sabem mesmo dançar depois de ficarem bêbados...
Olha está a chegar o amigo do meu vizinho do lado... Ou marido sei lá...
Xi pá já é tarde, está um calor dos diabos...Vou dar comer ao cão e levá-lo a passear...
Hoje a noite vai ser para esquecer...
Vou ficar com um cliente marado dos que só querem é conversar...É um dos que esteve na guerra do ultramar, fala sem cessar das coisas da tropa, das catorzinhas...E do medo de morrer...
No fim, como que saído do nada, que ser servido com uma boa chupada...
Daqui da minha janela vejo tudo... Até vejo o homem do talho a afiar a faca, e a escrever no role os calotes das gajas honradas...
Daqui da minha janela vejo tanto que fico assustada...
Mas o que eu mais gosto mesmo, é de saber e ver o meu vizinho do 5º andar... Completamente à rasca quando a mulher o apanha a fazer a tal chamada...
Que só eu sei que é para mim.
Autor: João Dimas/ João Murais Dizentte
Debussy - La mer, 3rd mov. "Dialogue du vent et de la mer"
http://youtu.be/xbsX74pFr9I
Vejo... O homem dos gelados, que os vende á porta da escola...
Vejo também os miúdos a roubar fruta na mercearia...
Também consigo ver os homens na oficina a bater chapa todo o dia ...
Vejo as velhas tagarelas a cortarem na vida alheia...
De vez em quando olham de soslaio cá para cima...Pobres velhotas é para o que lhes dá...
Vejo agora o vizinho da frente no andar a cima de mim...Imberbe amancebado, esbogalha-se todo na minha figura seminua...
Finjo ignorá-lo...Todos os dias me telefona...Voz tremula, rouca, indecisa, consigo vê-lo daqui com aquilo na mão, agrafado nas orelhas, alternando-as...
Todas as manhãs o padeiro chega á mesma hora...Hoje não o vi...
Dormi mais do que o costume...
Ontem fui dançar, estou toda partida...
Os betos não sabem mesmo dançar depois de ficarem bêbados...
Olha está a chegar o amigo do meu vizinho do lado... Ou marido sei lá...
Xi pá já é tarde, está um calor dos diabos...Vou dar comer ao cão e levá-lo a passear...
Hoje a noite vai ser para esquecer...
Vou ficar com um cliente marado dos que só querem é conversar...É um dos que esteve na guerra do ultramar, fala sem cessar das coisas da tropa, das catorzinhas...E do medo de morrer...
No fim, como que saído do nada, que ser servido com uma boa chupada...
Daqui da minha janela vejo tudo... Até vejo o homem do talho a afiar a faca, e a escrever no role os calotes das gajas honradas...
Daqui da minha janela vejo tanto que fico assustada...
Mas o que eu mais gosto mesmo, é de saber e ver o meu vizinho do 5º andar... Completamente à rasca quando a mulher o apanha a fazer a tal chamada...
Que só eu sei que é para mim.
Autor: João Dimas/ João Murais Dizentte
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