[ (des)construção ] .-o silêncio é de ouro e a palavra de prata
delírio de voz é o abocanhar de
vírgulas que se propaga através das veias
num rasgo de tinta porque hoje já
ninguém se verga aos ditames de uma escrita
sem significante e
ainda bem!
talvez por isso
gosto de trazer ( sempre ) comigo uma tesoura
para com ela podar as ervas daninhas mas
ao colocá.la sobre o parapeito do verso
alguém a levou por empréstimo
que lhe faça bom proveito!
entregue à volúpia de soluções baratas
reservo.me o direito de roubar a cada passo
um pouco de nevoeiro para com ele
ajustar à tela a respectiva cor
desajustada pode parecer a palavra
neste emaranhado de frases sem sentido
endoideceu – dirão!
ao que respondo sem qualquer problema
quando era pequeno obrigavam.me a
escrever o sujeito o predicado e o complemento
como se esta ordem fosse o sentido literal
do universo
hoje
desajustados os símbolos e perdida a real
dimensão das coisas ouso.me no desa
sossego do verbo a fim de consentir um pouco
mais de ordem à desordem reinante
vergada à placidez da folha que me aguarda
abro a janela ao indizível .faz.me falta o silêncio
Gabriela Rocha Martins
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