Penso em ti.
Há uma voz que se repercute
no coração do poema
com a
cadência de um látego incansável.
Oiço os acordes obscuros
de uma música
descompassada,
o rumor de um mar intranquilo.
Regressa à memória
o
desastre de um desejo envelhecido.
Está frio.
Um tímido sol anuncia
o lento suicídio do Inverno.
Penso em ti,
na vertigem súbita das
falésias,
no verde e húmido
olhar da despedida.
António José
Queirós
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