quinta-feira, 9 de maio de 2013

O MEDO DAS SERPENTES...

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 «Muitas mulheres e homens têm um medo visceral de serpentes...
Eu compreendo. Não é fácil gostar de Serpentes...embora haja mulheres que as sentem e estão muito perto da sua essência...e que, tal como eu que nunca tive medo delas, não sei como é evidente, como reagiria numa situação de "perigo"...diante de uma ao vivo...
Ando há imenso tempo para escrever sobre isso. Mas nã
o é fácil desmontar nem compreender esse medo ancestral por um SER mítico que nos foi sempre representado com o Mal e um terror...

A Grande Serpente...

Ela está presente em todas as civilizações antigas mas foi perfeitamente denegrida pelo cristianismo secular e aos poucos se transformou num monstro de sete cabeças...tal como Lilith afinal de contas...Não sendo por acaso que está sempre associada a ela…Desde o Mito bíblico da Queda quando Lilith/Serpente resolveu tentar Eva…e dar-lhe de comer a maçã do Conhecimento…do qual podemos deduzir seria ela a sua detentora (?) pois até hoje ela aparece sempre como um mal e uma ameaça...
Assim desde os tempos mais remotos até aos nossos dias a ideia e a imagem da serpente perturba os nossos sonhos associada ao pecado e a desejos sexuais recalcados e, de acordo com psicanálise, simbolizando o falo e os desejos eróticos das mulheres… uma lógica muito redutora…como se só a mulher, a pecadora por excelência, tivesse sonhos eróticos e fálicos…
Ora a Serpente é muito mais do que um símbolo sexual ou de mal…

A Serpente para os orientais, hindus e egípcios, e não só, sempre representou muito mais do que uma vaga alusão sexual…pois a vida tinha uma dimensão muito maior do que a mera sexualidade humana, e não existia a visão da mulher como culpada da queda, que foi e é ainda a obsessão dos ocidentais de formação judaica ou cristã quer seja dos seus psicólogos como dos seus filósofos e teólogos.
A associação da Serpente ao sexo, À MULHER e ao mal, dada como símbolo absoluto do falo para os freudianos é uma forma absolutamente redutora dos nossos tempos de psicanálise de superfície...
Os mitos abordados na perspectiva freudiana e dos seus seguidores são a forma linear do pensamento patriarcal em que o falo é princípio dominador (o masculino) e em que se assenta o poder do homem e da sua expressão dada com o único sentido e origem da existência do Homem em que a mulher conta pouco ou quase nada...
Essa visão é, além de ignorância profunda da nossa origem ctónica, uma deformação do Sagrado Feminino e do seu Princípio, de acordo com os interesses fomentados pelos patriarcas através das suas religiões e culturas até hoje.»

Rosa Leonor Pedro

http://youtu.be/sEcvI2Wlp5k

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