segunda-feira, 20 de maio de 2013

Teoria das Cores



Era uma vez um pintor que tinha um aquário e dentro do aquário, um peixe encarnado. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor encarnada, quando a certa altura  começou a tornar-se, negro, a partir de, digamos,  de dentro, era um nó negro por detrás da cor vermelha e que insidioso, se desenvolvia para fora, alastrando-se e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário, o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.
O problema do artista era este: obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinara. Assim os elementos do problema constituíam-se na própria observação dos factos e punham-se por uma ordem a saber: primeiro: peixe, cor vermelha, pintor — em que a cor vermelha  era  o nexo estabelecido entre o peixe e o quadro através do pintor.
Segundo: peixe cor preta -  pintor em que a cor preta formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar,  acerca das razões por que o peixe mudara de cor, precisamente na hora que o pintor assentava na sua fidelidade, ele pensou que lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Essa lei seria a metamorfose.
Compreendida a nova  espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela, um peixe amarelo.
(Herberto Helder)

http://youtu.be/WYMwWRdpzq4


http://youtu.be/OU2Y87TwkUQ

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