segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mantenho o silêncio

Dois poemas de Sofia Champlon de Barros:


Mantenho o silêncio

As palavras valem o que valem.
Palavras prometidas podem nada contra a inércia da vontade.
No desencanto, não há brilho que as palavras possam conferir ao olhar.
A dor da fome não se alimenta com palavras.
A mais bela poesia não confere colorido a uma alma enlutada.
O desamparo precisa de um abraço permanente, de um carinho coerente, não quer saber de palavras.
Palavras não saram o arrependimento nem desfazem o erro.

Gosto do olhar.
Regozijo-me no abraço.
Sorrio enlevada por acordes musicais.
Saboreio o calor do Sol na pele, a luz que acorda sensações.
Gravo na memória a gargalhada infantil dos meus amores.
Deixo-me ficar no rumorejar das ondas num namoro eterno com a areia.
Prezo a atitude.
Desprezo tantas palavras…
 
 
Sofia Champlon de Barros


                                          ***


Sob as coxas com que te cinjo e ensino,
 
És sela quente onde o meu querer se agita,

Alazão bravo sobre o qual me inclino,

Boca entreaberta, em gula infinita.

Traças com a língua um trilho que desperta

Em mim o cio bêbado de fêmea acesa

Monto-te livre, vibrante, aberta,

Enquanto me domas, nas tuas mãos presa.

Somos corcéis trotando contra o vento

Esporeando-se em loucura repentina,

Cavalgamos, rédeas soltas, ao relento,

No peito o fogo, nas tuas mãos a crina.

Investimos todo o fôlego na corrida

Vertigem galopante, desenfreada

E serenamos da derradeira investida

Na mansa plenitude da madrugada.


Sofia Champlon de Barros
http://youtu.be/iNOpDZ7k98Q

1 comentário:

  1. Boa tarde.
    É curioso (para não dizer outra coisa) encontrar aqui os meus textos.
    Não sei quem é, nem como os conheceu e agradeço o facto de ter mencionado o meu nome na sua publicação. Julgo, porém, que ainda haveria lugar a um comentário, no local onde os leu, ou uma pergunta, no sentido de me perguntar se estaria de acordo com a sua divulgação neste seu espaço...

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