Mantenho o silêncio
As palavras valem o que valem.
Palavras prometidas podem nada contra a inércia da vontade.
No desencanto, não há brilho que as palavras possam conferir ao olhar.
A dor da fome não se alimenta com palavras.
A mais bela poesia não confere colorido a uma alma enlutada.
O desamparo precisa de um abraço permanente, de um carinho coerente, não quer saber de palavras.
Palavras não saram o arrependimento nem desfazem o erro.
Gosto do olhar.
Regozijo-me no abraço.
Sorrio enlevada por acordes musicais.
Saboreio o calor do Sol na pele, a luz que acorda sensações.
Gravo na memória a gargalhada infantil dos meus amores.
Deixo-me ficar no rumorejar das ondas num namoro eterno com a areia.
Prezo a atitude.
Desprezo tantas palavras…
Sofia Champlon de Barros
***
Sob
as coxas com que te cinjo e ensino,
Alazão bravo sobre o qual me inclino,
Boca entreaberta, em gula infinita.
Traças com a língua um trilho que desperta
Em
mim o cio bêbado de fêmea acesa
Monto-te
livre, vibrante, aberta,
Enquanto
me domas, nas tuas mãos presa.
Somos
corcéis trotando contra o vento
Esporeando-se
em loucura repentina,
Cavalgamos,
rédeas soltas, ao relento,
No
peito o fogo, nas tuas mãos a crina.
Investimos
todo o fôlego na corrida
Vertigem
galopante, desenfreada
E
serenamos da derradeira investida
Na
mansa plenitude da madrugada.
Sofia Champlon de Barros
http://youtu.be/iNOpDZ7k98Q
Boa tarde.
ResponderEliminarÉ curioso (para não dizer outra coisa) encontrar aqui os meus textos.
Não sei quem é, nem como os conheceu e agradeço o facto de ter mencionado o meu nome na sua publicação. Julgo, porém, que ainda haveria lugar a um comentário, no local onde os leu, ou uma pergunta, no sentido de me perguntar se estaria de acordo com a sua divulgação neste seu espaço...