"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa." Fernando Pessoa
«Há sempre um momento em que essa verdade nos atravessa. Há sempre um momento em que o sonho cessa. Há sempre um momento na vida... em que nos tornamos espectadores de nós mesmos e indesejáveis na vida dos outros...
Acontece quando nos sentimos afastados repentinamente do palco de grandes amizades ou amores por nos termos tornado num espelho demasiado incómodo...
Já tive essa experiência algumas vezes na vida, e sempre que aconteceu doeu-me na "carne da minha alma", como diz Fernando Pessoa.
Na verdade nós soubemos sempre o que realmente a outra pessoa sentia quando nos dizia amar... Deixamo-nos enganar porque queremos. Durante anos podemos até acreditar, mas no fundo sabemos qual o sentimento velado da pessoa, e o nosso, mas não queremos ver e mantemos um pacto de interesses e é num dado momento preciso, inesperadamente, que nos cai em cima a certeza fulminante de que a verdade é mesmo aquela intuíamos e que não queriamos admitir nem ver do início... Ninguém ama realmente quem somos!
Isso coincide quase sempre com uma mentira flagrante ou traição mas na verdade é apenas a queda da ilusão (ou a retirada da projecção), com a qual todos somos coniventes quando pensamos que alguém nos ama ou julgamos amar alguém...
O amor humano é apenas uma projecção ideal do que desejamos...aceitamo-lo por carência ou conveniência...por solidão ou vaidade. Às vezes só por orgulho!
A ilacção a fazer ou a lição a tirar é que é mais fácil de facto perdoar e aceitar pessoas que nos mentem e nos traiem do que pessoas que nos espelham uma verdade que não queremos ver...Todos queremos viver o sonho e a ilusão e nos custa a face cruel da realidade ou a sua crueza...
Sempre pensei assim no fundo e sempre aconteceu assim na verdade. Apenas como toda a gente embalei da ficção. Agora vão-me dizer que fui eu que co-criei isso e que o amor entre os humanos é possível...mas eu não creio. Só amor incondicional é verdadeiro, o amor que está acima da necessidade ou do desejo e nós estamos muito longe de o viver no nosso quotidiano...Nós somos todos sub-humanos e creio que só agora caminhamos para verdadeiros Humanos.
E como diz o poeta doutra forma: "Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.» Rosa Leonor Pedro (http://rosaleonor.blogspot.pt/)
«Há sempre um momento em que essa verdade nos atravessa. Há sempre um momento em que o sonho cessa. Há sempre um momento na vida... em que nos tornamos espectadores de nós mesmos e indesejáveis na vida dos outros...
Acontece quando nos sentimos afastados repentinamente do palco de grandes amizades ou amores por nos termos tornado num espelho demasiado incómodo...
Já tive essa experiência algumas vezes na vida, e sempre que aconteceu doeu-me na "carne da minha alma", como diz Fernando Pessoa.
Na verdade nós soubemos sempre o que realmente a outra pessoa sentia quando nos dizia amar... Deixamo-nos enganar porque queremos. Durante anos podemos até acreditar, mas no fundo sabemos qual o sentimento velado da pessoa, e o nosso, mas não queremos ver e mantemos um pacto de interesses e é num dado momento preciso, inesperadamente, que nos cai em cima a certeza fulminante de que a verdade é mesmo aquela intuíamos e que não queriamos admitir nem ver do início... Ninguém ama realmente quem somos!
Isso coincide quase sempre com uma mentira flagrante ou traição mas na verdade é apenas a queda da ilusão (ou a retirada da projecção), com a qual todos somos coniventes quando pensamos que alguém nos ama ou julgamos amar alguém...
O amor humano é apenas uma projecção ideal do que desejamos...aceitamo-lo por carência ou conveniência...por solidão ou vaidade. Às vezes só por orgulho!
A ilacção a fazer ou a lição a tirar é que é mais fácil de facto perdoar e aceitar pessoas que nos mentem e nos traiem do que pessoas que nos espelham uma verdade que não queremos ver...Todos queremos viver o sonho e a ilusão e nos custa a face cruel da realidade ou a sua crueza...
Sempre pensei assim no fundo e sempre aconteceu assim na verdade. Apenas como toda a gente embalei da ficção. Agora vão-me dizer que fui eu que co-criei isso e que o amor entre os humanos é possível...mas eu não creio. Só amor incondicional é verdadeiro, o amor que está acima da necessidade ou do desejo e nós estamos muito longe de o viver no nosso quotidiano...Nós somos todos sub-humanos e creio que só agora caminhamos para verdadeiros Humanos.
E como diz o poeta doutra forma: "Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.» Rosa Leonor Pedro (http://rosaleonor.blogspot.pt/)
"A minha vida é como se me batessem com ela."
FERNANDO PESSOA
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