domingo, 14 de julho de 2013



Como é que eu,
ouvindo tão mal, distingo
o teu andar desde o princípio do corredor?
 
Como é que eu,
vendo tão pouco, sei
que és tu chegas, conforme a luz?

Como é que eu,
de mãos tão ásperas, desenho
a tua cara mesmo tão longe dela?

Onde está
tudo o que sei de ti
sem nunca ter aprendido nada?

Serei ainda capaz
de descobrir a palavra
que larga o teu rasto na janela?

(Que seria de nós
se nos roubassem os pontos de interrogação?)

MÁRIO CASTRIM, in OS DIAS DO AMOR ( Ministério dos Livros , 2009)


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