quarta-feira, 1 de maio de 2013

Rainer Maria Rilke

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Não me incomodam. Deixam-me ir.
Dizem que não pode acontecer nada.
Ainda bem.
Não pode acontecer nada. Tudo chega e gira
sempre em torno do Espírito Santo,
em torno de determinado espírito (tu sabes) —
que bem.
Não, realmente não deve pensar-se que haja
qualquer perigo nisso.
Sim, há o sangue.
O sangue é o mais pesado. O sangue é pesado.
Por vezes penso que não posso mais —
(Ainda bem.)
Ah, que linda bola;
vermelha e redonda como um Em-toda-a-parte.
Ainda bem que a criastes.
Ela vem quando se chama?

De que estranha maneira tudo se comporta,
apressa-se a juntar-se, separa-se nadando:
amigável, um pouco vago.
Ainda bem.


Rainer Maria Rilke - A Canção do Idiota in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira



“I confess that I consider life to be a thing of the most untouchable deliciousness, and that even the confluence of so many disasters and deprivations, the exposure of countless fates, everything that insurmountably increased for us over the past few years to become a still rising terror cannot distract me from the fullness and goodness of existence that is inclined toward us.”

― Rainer Maria Rilke, Letters on Life: New Prose Translations

"Eu confesso que  considero que a vida seja uma coisa  deliciosa mas intocável, e que até a confluência de tantos desastres e privações, a exposição de inúmeros destinos, tudo o que é insuportável,  aumentou para nós ao longo dos últimos anos para se tornar um ainda crescente terror que não me pode distrair da plenitude e da bondade de existência que está inclinada em direcção a nós. "

- Rainer Maria Rilke, Cartas sobre a Vida: Novas Traduções Prosa

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