Dar nomes aos gatos não é tarefa fácil, decerto...
Não é como um desses jogos que passam em sua mente
Você deve até pensar que eu já não sou muito certo
Quando te digo, um gato deve ter TRÊS NOMES DIFERENTES
Primeiro há o nome como os que em casa se usam
Como Paulo, Rodolfo, Manoela ou Anamaria
Tal como Wilson ou Francisco, Cinthia ou Susan
Todos sensatamente nomes do dia-a-dia
Há outros, se você achar que soem mais ternos
Uns para os cavalheiros, outros para as damas
Tais como Plato, Admetus, Electra, Demetrius
Mas todos sensatamente nomes em poucas semanas
Mesmo assim acho que um gato precisa de um nome particular
Um nome que lhe seja peculiar, mais que digno de uma rima
Senão, como ele irá deixar o seu rabo perpendicular
Ou ajeitar os seus bigodes e assim manter a sua estima?
De nomes como esses eu posso te dar uma lista
Tais como Munkustrap, Quaxo, ou Coricopato
Talvez Bombalurina, ou Jellylorum já te dê uma pista
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato
Mas entre esses há um outro ainda por vir
E esse nome eu sei que você não irá adivinhar
Um nome que nenhum cientista poderá descobrir
Que SÓ O SEU GATO SABE, mas que jamais irá confessar
Quando você perceber o seu gato em estado de meditação
A razão disso eu te falo é sempre a mesma, vê se pode:
A sua mente está ocupada numa elevada contemplação
Do pensar no pensar do pensar de seu nome:
É o seu inefável efável
Efaninefavelmente
O seu profundo, inecoável e singular nome.
T.S.
ELIOT
Tradução: Fernando Koproski
Thomas Stearns Eliot, poeta norte-americano, nasceu em 1888. É autor de The
Waste Land (1922), um dos poemas capitais do século XX. Estudioso da
poética simbolista, assimilou influências de Jules Laforgue em sua primeira
fase, como em Prufrock and Other Poems (1919). Ao lado de Ezra Pound, Cummings
e James Joyce, esteve na vanguarda da literatura de língua inglesa. Dirigiu a
revista Criterion e foi crítico atuante. Após mudar-se para a Inglaterra,
converteu-se à religião anglicana, tornou-se monarquista e obteve a cidadania
inglesa. Em sua última fase, adotou uma estética classicizante e com viés
filosófico, como nos Four Quartets (1935-1943). T. S. Eliot escreveu também
ensaios e peças de teatro. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1948,
falecendo em 1965.
http://youtu.be/Y2kXzP7-UTc
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