sexta-feira, 31 de maio de 2013
Paolo Fresu Devil Quartet - Desertico
http://youtu.be/OTzgoU4GjsQ**********http://youtu.be/nTIZ94WegL0
Elba Ramalho e Dominguinhos De Volta Pro Aconchego
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim http://youtu.be/Lyck7UScAlQ
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim http://youtu.be/Lyck7UScAlQ
Juliana-Aria - Air
“Às vezes me isolo, me tranco na minha toca para escrever, para ler, para imaginar. Parece que, no fechado, o imaginário se solta melhor. O que sinto mesmo é incompletude: essa falta de explicação para o sentido da vida. O que tenho é solidão. Mas solidão é opulência da alma. Tudo isso parece que destila amargor e sol na minha poesia.”
— Manoel de Barros
http://youtu.be/30HCtHqGcns
É preciso
«É preciso»
A criança ali estava, sentada na sua ilha. Olhava para o mundo e pensava.
A criança viu as guerras. E disse para consigo: é preciso pintar as fardas dos soldados. É preciso, dos canos das espingardas, fazer poleiros para os pássaros e flautas de pastor.
A criança viu a fome. E disse para consigo: é preciso prender as nuvens com um laço e fazê-las lançar chuva sobre os desertos. É preciso abrir ribeiros de água e de leite.
A criança viu a miséria. E disse para consigo: é preciso aprender a somar, a subtrair, a multiplicar e depois a dividir. É preciso aprender a partilhar o dinheiro, o pão, o ar e a terra.
A criança viu os poderosos a dar ordens, a clamar, a decretar. E disse para consigo: é preciso abrir-lhes os olhos ou então pô-los dali para fora.
A criança viu o oceano. E disse para consigo: é preciso lavá-lo e depois olhá-lo e… sonhar.
A criança viu as florestas. E disse para consigo: é preciso aventurar-se e nelas escrever histórias, deitar-se no chão coberto de musgo…a ouvi-las.
A criança viu as lágrimas. E disse para consigo: é preciso aprender a abraçar-se, a não ter medo dos beijos. É preciso aprender a dizer “gosto de ti.”
A criança ergueu a cabeça. Viu a lua com uma bandeira espetada na testa. Que ultraje! E disse para consigo: é preciso tirá-la de lá e pedir-lhe perdão.
Por fim, da sua ilha, a criança olhou para o mundo pela última vez. E depois decidiu…
… nascer.
-- Thierry Lenain, Olivier Tallec
http://youtu.be/F_xKsYc71jA
Agora Falando Sério
Chico Buarque
Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver a banda passar
Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal
Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar
Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério
Chico Buarque
http://youtu.be/F17oIPLdzc0
Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver a banda passar
Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal
Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar
Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério
Chico Buarque
http://youtu.be/F17oIPLdzc0
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Poema "Identidade", de Mia Couto
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem inseto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
Mia Couto http://youtu.be/rw5mPhl1Njw
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem inseto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço
Mia Couto http://youtu.be/rw5mPhl1Njw
COMO SE FAZ UM POEMA
COMO SE FAZ O POEMA
Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste.
© 2005, Nuno Júdice
From: Geometria variável
Publisher: Dom Quixote, Lisboa, 2005
Para ouvir o poema:
http://www.poetryinternationalweb.net/pi/site/poem/item/10017/auto
«Transforma-se o amador na coisa amada»
HERBERTO HELDER
«Transforma-se o amador na coisa amada», com seu
feroz sorriso, os dentes,
as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído
e silêncio. Traz o barulho das ondas frias
e das ardentes pedras que tem dentro de si.
E cobre esse ruído rudimentar com o assombrado
silêncio da sua última vida.
O amador transforma-se de instante para instante,
e sente-se o espírito imortal do amor
criando a carne em extremas atmosferas, acima
de todas as coisas mortas.
Transforma-se o amador. Corre pelas formas dentro.
E a coisa amada é uma baía estanque.
É o espaço de um castiçal,
a coluna vertebral e o espírito
das mulheres sentadas.
Transforma-se em noite extintora.
Porque o amador é tudo, e a coisa amada
é uma cortina
onde o vento do amador bate no alto da janela
aberta. O amador entra
por todas as janelas abertas. Ele bate, bate, bate.
O amador é um martelo que esmaga.
Que transforma a coisa amada.
Ele entra pelos ouvidos, e depois a mulher
que escuta
fica com aquele grito para sempre na cabeça
a arder como o primeiro dia do verão. Ela ouve
e vai-se transformando, enquanto dorme, naquele grito
do amador.
Depois acorda, e vai, e dá-se ao amador,
dá-lhe o grito dele.
E o amador e a coisa amada são um único grito
anterior de amor.
E gritam e batem. Ele bate-lhe com o seu espírito
de amador. E ela é batida, e bate-lhe
com o seu espírito de amada.
Então o mundo transforma-se neste ruído áspero
do amor. Enquanto em cima
o silêncio do amador e da amada alimentam
o imprevisto silêncio do mundo e do amor.
http://www.poetryinternationalweb.net/pi/site/poem/item/4860
«Transforma-se o amador na coisa amada», com seu
feroz sorriso, os dentes,
as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído
e silêncio. Traz o barulho das ondas frias
e das ardentes pedras que tem dentro de si.
E cobre esse ruído rudimentar com o assombrado
silêncio da sua última vida.
O amador transforma-se de instante para instante,
e sente-se o espírito imortal do amor
criando a carne em extremas atmosferas, acima
de todas as coisas mortas.
Transforma-se o amador. Corre pelas formas dentro.
E a coisa amada é uma baía estanque.
É o espaço de um castiçal,
a coluna vertebral e o espírito
das mulheres sentadas.
Transforma-se em noite extintora.
Porque o amador é tudo, e a coisa amada
é uma cortina
onde o vento do amador bate no alto da janela
aberta. O amador entra
por todas as janelas abertas. Ele bate, bate, bate.
O amador é um martelo que esmaga.
Que transforma a coisa amada.
Ele entra pelos ouvidos, e depois a mulher
que escuta
fica com aquele grito para sempre na cabeça
a arder como o primeiro dia do verão. Ela ouve
e vai-se transformando, enquanto dorme, naquele grito
do amador.
Depois acorda, e vai, e dá-se ao amador,
dá-lhe o grito dele.
E o amador e a coisa amada são um único grito
anterior de amor.
E gritam e batem. Ele bate-lhe com o seu espírito
de amador. E ela é batida, e bate-lhe
com o seu espírito de amada.
Então o mundo transforma-se neste ruído áspero
do amor. Enquanto em cima
o silêncio do amador e da amada alimentam
o imprevisto silêncio do mundo e do amor.
http://www.poetryinternationalweb.net/pi/site/poem/item/4860
O «ENSINA-ME»
O «ENSINA-ME»
Quando era novo, mandei fazer numa tábua
A canivete e nanquim a figura dum velho
A coçar-se no peito por causa da sarna
Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem.
Uma segunda tábua pra o outro canto do quarto,
Que devia representar um moço a ensiná-lo,
Nunca mais foi feita.
Quando era novo tinha a esperança
De encontrar um velho que se deixasse ensinar.
Quando for velho, espero
Que se encontre um moço e eu
Me deixe ensinar.
-- Bertold Brecht (Trad. Paulo Quintela)
Um dos momentos das "Vésperas" de Rachmaninov, uma das mais grandiosas obras deste excelso compositor (uma das favoritas dele próprio), e que tem por base textos Igreja Ortodoxa Russa
http://www.youtube.com/watch?v=yRHa84ANeBA&feature=share&list=PLBD0821E61F288434
O AMOR É ANTERIOR À VIDA
[O AMOR É ANTERIOR À VIDA]
O amor é anterior à vida
Posterior à morte,
O início da criação, e
O expoente da respiração.
EMILY DICKINSON, in COMPLETE POEMS OF EMILY DICKINSON
DECLARAÇÃO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA
“Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter subtilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la como gosto de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que eu recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que minha abordagem do português fosse virgem e límpida.” CLARICE LISPECTOR
O amor é anterior à vida
Posterior à morte,
O início da criação, e
O expoente da respiração.
EMILY DICKINSON, in COMPLETE POEMS OF EMILY DICKINSON
DECLARAÇÃO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA
“Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter subtilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la como gosto de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que eu recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que minha abordagem do português fosse virgem e límpida.” CLARICE LISPECTOR
As pessoas belas não surgem do nada
As pessoas mais belas com as quais encontrei são aquelas que encontraram a derrota, conheceram o sofrimento, conheceram a luta, conheceram a perda, e encontraram sua forma de sair das profundezas. Estas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que nos preenche de compaixão, humildade e uma profundidade inquietude amorosa. As pessoas belas não surgem do nada.
(Elisabeth Kübler-Ross)
http://youtu.be/E2rTA2QSTGE
http://youtu.be/E2rTA2QSTGE
Ivan Lins - Depois dos temporais
"EVITAR O SOFRIMENTO, É CORRER O RISCO DE SE PERDER EM ABSTRACÇÕES QUE NADA TÊM A VER COM A REALIDADE HUMANA."
EMIL CIORAN
http://youtu.be/4rdaVBBEltA
http://youtu.be/4rdaVBBEltA
MURALHAS
AS MURALHAS QUE NOS IMPEDEM DE COMUNICAR
"Num mundo em que os seres humanos têm tanto medo da "perda", existe um excesso de muralhas protectoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana" (...) "quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto de identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." "mulheres que correm com os lobos" CLARISSA PINKOLA ESTÉS http://youtu.be/UILzkNiIM1Y
"Num mundo em que os seres humanos têm tanto medo da "perda", existe um excesso de muralhas protectoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana" (...) "quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto de identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes. Descobrir com certeza qual a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo." "mulheres que correm com os lobos" CLARISSA PINKOLA ESTÉS http://youtu.be/UILzkNiIM1Y
IVAN LINS e JORGE DREXLER - DIADEMA
"Se estiver a passar pelo inferno, continue a caminhar."
(Winston Ghurchill)
http://youtu.be/jpu1Z6x-5Ww
http://youtu.be/jpu1Z6x-5Ww
Kenny G - Avé Maria
“A pedagogia tem de ser forjada com ele (o oprimido) e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objecto da reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará."
(FREIRE, Paulo. Pedadgogia do Oprimido)
http://youtu.be/qmZ2qP5hS_Q
"Por que você largaria algo tão lindo, algo que construiu cuidadosamente, para expor algo que você já tem, em segredo?"
«Stephen Flemming (Jeremy Irons) é um político conservador do alto parlamento inglês que acaba se envolvendo com a noiva do filho. Ela não está disposta a abandonar o seu relacionamento com o futuro marido, e ele não quer um escândalo na sua carreira, mas apesar disso os dois continuam a se encontrar e Flemming até muda os seus horários para poder ver Anna (Juliette Binoche). Eles têm noção de que a relação de ambos pode abalar a vida das pessoas que amam, mas não se conseguem desligar, sendo movidos pela forte atração sexual que um exerce no outro.»
"O interesse que tenho em acreditar numa coisa não é a prova da existência dessa coisa."
VOLTAIRE
http://youtu.be/yKh7IvtHe9o****** http://pinterest.com/mfgo53/filmes-inesqueciveis/
«Stephen Flemming (Jeremy Irons) é um político conservador do alto parlamento inglês que acaba se envolvendo com a noiva do filho. Ela não está disposta a abandonar o seu relacionamento com o futuro marido, e ele não quer um escândalo na sua carreira, mas apesar disso os dois continuam a se encontrar e Flemming até muda os seus horários para poder ver Anna (Juliette Binoche). Eles têm noção de que a relação de ambos pode abalar a vida das pessoas que amam, mas não se conseguem desligar, sendo movidos pela forte atração sexual que um exerce no outro.»
"O interesse que tenho em acreditar numa coisa não é a prova da existência dessa coisa."
VOLTAIRE
http://youtu.be/yKh7IvtHe9o****** http://pinterest.com/mfgo53/filmes-inesqueciveis/
quarta-feira, 29 de maio de 2013
afasto-me
"até que um dia o dia seja uma salina de cristais puros e possa a vida ser menos estrangeira.
afasto-me. para
melhor esquecer as falsas grinaldas". (imf)
mmmmmmmmm
http://youtu.be/yv4O9yZ8zd8
Love Sublime - Brad Mehldau & Renee Fleming
(que sim, que os elementos através da casa: um espaço na beleza: água atrás das paredes, fogo nas botijas, cristal nas unhas.....) Herberto Helder.
http://youtu.be/rf_V1MDoUDE
http://youtu.be/rf_V1MDoUDE
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
http://youtu.be/OWKgHFFKA-c
terça-feira, 28 de maio de 2013
CENAS de "Os Maias"
«Este blog contém cenas da minissérie Os Maias, referentes à análise realizada na tese de doutorado intitulada Os episódios da vida romântica: Maria Adelaide Amaral e Eça de Queirós na minissérie “Os Maias”, escrita por Kyldes Batista Vicente.»
"[...] tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"
via http://ulbra-to.br/encena/2013/05/20/Eca-de-Queiros-ha-literatura-como-essa https://cenasdatese.wordpress.com/************ http://youtu.be/wlQ4XUUzEBY***********http://youtu.be/Va-6AuTxelo
"A arte é um modo de lidar com a ausência"
"Não é a beleza que salva, mas, sim, a arte da beleza: a Poesia, gramática da nudez concisa."
- António Barahona, As Grandes Ondas,
Lisboa: Averno, 2013
«Não, não há uma beleza que nos salve. Só a bondade nos salva. E a bondade manifesta-se, por vezes, no meio da maior fealdade. Explico-me. Uma pessoa capaz de actos de bondade, uma pessoa com bom coração, pode ter uma cara que é considerada feia, pode vestir-se de uma maneira que é considerada pirosa, pode ter tido notas medíocres, pode ser um artista medíocre. Quando visitamos um museu com obras belíssimas, como o Louvre ou o Prado, podemo-nos esquecer de que as pessoas, os visitantes e os funcionários que estão lá connosco, são obras mais belas do que as mais belas obras expostas que andamos a ver. Um artista torturado pela beleza que consegue, ou que não consegue, dar ao que pinta e que se autodestrói está equivocado. Seria preferível deixar de pintar ou pintar obras medíocres. Como dizia o meu avô materno, que era médico, «mais vale burro vivo do que sábio morto». Se a busca da beleza nos impede de viver, então há é uma beleza que nos perde. E há.
Penso que não nos devemos enganar sobre a beleza. Se a nossa obra artística, ou outra, não implica a renúncia às coisas inúteis e a partilha, então é bastante inútil. E as coisas inúteis, para uma poetisa, são o desejo de escrever obras perfeitas e o de ser reconhecida pelos seus pares. Roubei à Irmã Emmanuelle a expressão «renúncia às coisas inúteis e partilha» («renonce aux choses inutiles et partage», in Famille chrétienne,Numéro hors série, été 2004, p. 6). Se não há partilha, o artista é quase tão aberrante como um padre que celebrasse a missa só para si.
Os artistas são, às vezes, muito egoístas. É verdade que as suas obras, apesar disso, podem comunicar --mas será involuntariamente? -- bons sentimentos. A arte está cheia de ódio, de maus sentimentos. Parece que estou a dizer mal da arte e não queria fazer isso.
No Natal, uma amiga mandou-me um cartão de boas festas da Unicef com um Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Tenho-o em exposição no meu quarto e, quando quero rezar, olho para ele. Mas não sou contemporânea de Fra Angelico. Não posso tomar café e tagarelar com ele nos cafés como posso fazer com a amiga que me enviou o anjo dele pelo Correio. Por isso o Anjo da Anunciação de Fra Angelico, que é tão bonito, pode também ser doloroso. Fra Angelico já morreu. E não é a beleza do anjo de Fra Angelico que me garante que Fra Angelico ressuscitará.
Um poema de Rimbaud está cheio de violência. Há muita beleza na expressão dessa violência. E isto é terrível. Preferia que Rimbaud não estivesse ferido a ponto de escrever daquela maneira? Preferia. Mas não posso dizer isto assim.
A arte é feita para construir a paz. Não é um esgrimir no vazio. Não pode ser. Olho para o Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Parece-me belíssimo. É vermelho e dourado. É verde e azul. Mas, ao escrever assim, parece-me que estou a evocar o poema de Rimbaud intitulado «Voyelles». A arte é um modo de lidar com a ausência. E por isso é tão preciosa e tão perigosa. Nunca é a alegria da presença.»
- Adília Lopes, Le Vitrail La Nuit/A Árvore Cortada,
Lisboa: &etc, 2006
- António Barahona, As Grandes Ondas,
Lisboa: Averno, 2013
«Não, não há uma beleza que nos salve. Só a bondade nos salva. E a bondade manifesta-se, por vezes, no meio da maior fealdade. Explico-me. Uma pessoa capaz de actos de bondade, uma pessoa com bom coração, pode ter uma cara que é considerada feia, pode vestir-se de uma maneira que é considerada pirosa, pode ter tido notas medíocres, pode ser um artista medíocre. Quando visitamos um museu com obras belíssimas, como o Louvre ou o Prado, podemo-nos esquecer de que as pessoas, os visitantes e os funcionários que estão lá connosco, são obras mais belas do que as mais belas obras expostas que andamos a ver. Um artista torturado pela beleza que consegue, ou que não consegue, dar ao que pinta e que se autodestrói está equivocado. Seria preferível deixar de pintar ou pintar obras medíocres. Como dizia o meu avô materno, que era médico, «mais vale burro vivo do que sábio morto». Se a busca da beleza nos impede de viver, então há é uma beleza que nos perde. E há.
Penso que não nos devemos enganar sobre a beleza. Se a nossa obra artística, ou outra, não implica a renúncia às coisas inúteis e a partilha, então é bastante inútil. E as coisas inúteis, para uma poetisa, são o desejo de escrever obras perfeitas e o de ser reconhecida pelos seus pares. Roubei à Irmã Emmanuelle a expressão «renúncia às coisas inúteis e partilha» («renonce aux choses inutiles et partage», in Famille chrétienne,Numéro hors série, été 2004, p. 6). Se não há partilha, o artista é quase tão aberrante como um padre que celebrasse a missa só para si.
Os artistas são, às vezes, muito egoístas. É verdade que as suas obras, apesar disso, podem comunicar --mas será involuntariamente? -- bons sentimentos. A arte está cheia de ódio, de maus sentimentos. Parece que estou a dizer mal da arte e não queria fazer isso.
No Natal, uma amiga mandou-me um cartão de boas festas da Unicef com um Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Tenho-o em exposição no meu quarto e, quando quero rezar, olho para ele. Mas não sou contemporânea de Fra Angelico. Não posso tomar café e tagarelar com ele nos cafés como posso fazer com a amiga que me enviou o anjo dele pelo Correio. Por isso o Anjo da Anunciação de Fra Angelico, que é tão bonito, pode também ser doloroso. Fra Angelico já morreu. E não é a beleza do anjo de Fra Angelico que me garante que Fra Angelico ressuscitará.
Um poema de Rimbaud está cheio de violência. Há muita beleza na expressão dessa violência. E isto é terrível. Preferia que Rimbaud não estivesse ferido a ponto de escrever daquela maneira? Preferia. Mas não posso dizer isto assim.
A arte é feita para construir a paz. Não é um esgrimir no vazio. Não pode ser. Olho para o Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Parece-me belíssimo. É vermelho e dourado. É verde e azul. Mas, ao escrever assim, parece-me que estou a evocar o poema de Rimbaud intitulado «Voyelles». A arte é um modo de lidar com a ausência. E por isso é tão preciosa e tão perigosa. Nunca é a alegria da presença.»
- Adília Lopes, Le Vitrail La Nuit/A Árvore Cortada,
Lisboa: &etc, 2006
R.E.M. - Leave
"O homem que vê os dois lados de uma questão é um homem que não vê absolutamente nada."
OSCAR WILDE
OSCAR WILDE
Nothing could be bring me closer
Nothing could be bring me near
Where is the road I follow?
to leave, leave
It's under, under, under my feet
The sea spread out there before me
where do I go where the land touches the sea
There is my trust in what I believe
(chorus)
That's what keeps me,
That's what keeps me,
That's what keeps me down,
To leave it, leave it,
Leave it all behind
Shifting the dream
Nothing could bring me further from my old time
Shifting the dream
It's charging the scene
I know where I marked the signs
I Suffer the dreams of a world gone mad
I like it like that and I know it
I know it well, ugly and sweet
That temper madness with an even extreme
That's what keeps me
That's what keeps me
That's what keeps me down
I say that I'm a bantam lightweight
I say that I'm a phantom airplane
That never left the ground
(repeat chorus)
Lift me, lift me,
I attain my dream
I lost myself, I lost the
Heartache calling me
I lost myself in sorrow
I lost myself in pain
I lost myself in clarity,
Memory, leave, leave
(repeat chorus 2x)
lift my hands, my eyes are still
I walk into the scene
lift myself in a different place
just Leavin'
I longed for this to take me,
I longed for my release
I waited for the callin'
To leave, leave
Leave, leave
Leavin', leavin'
Leavin', leave http://youtu.be/lbcsSppFX8s
OSCAR WILDE
OSCAR WILDE
Nothing could be bring me closer
Nothing could be bring me near
Where is the road I follow?
to leave, leave
It's under, under, under my feet
The sea spread out there before me
where do I go where the land touches the sea
There is my trust in what I believe
(chorus)
That's what keeps me,
That's what keeps me,
That's what keeps me down,
To leave it, leave it,
Leave it all behind
Shifting the dream
Nothing could bring me further from my old time
Shifting the dream
It's charging the scene
I know where I marked the signs
I Suffer the dreams of a world gone mad
I like it like that and I know it
I know it well, ugly and sweet
That temper madness with an even extreme
That's what keeps me
That's what keeps me
That's what keeps me down
I say that I'm a bantam lightweight
I say that I'm a phantom airplane
That never left the ground
(repeat chorus)
Lift me, lift me,
I attain my dream
I lost myself, I lost the
Heartache calling me
I lost myself in sorrow
I lost myself in pain
I lost myself in clarity,
Memory, leave, leave
(repeat chorus 2x)
lift my hands, my eyes are still
I walk into the scene
lift myself in a different place
just Leavin'
I longed for this to take me,
I longed for my release
I waited for the callin'
To leave, leave
Leave, leave
Leavin', leavin'
Leavin', leave http://youtu.be/lbcsSppFX8s
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Schubert - Lieder - Barbara Bonney - Geoffrey Parsons
"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
(Antoine de Saint-Exupéry)
Franz Schubert (1798 - 1828) - Lieder : Barbara Bonney (soprano), Geoffrey Parsons (piano), Sharon Kam (clarinette, pour le Pâtre sur le rocher). Un merveilleux récital, commençant par l'Ave Maria dans ce qui est certainement une de ses plus belles versions, suivi de ces lieder que je qualifierais volontiers de miraculeux, bien que je ne croie pas du tout au miracle, tant ils approchent de la perfection, des lieder qu'on peut écouter et réécouter indéfiniment sans se lasser, comme cette Marguerite au Rouet (Gretchen am Spinrade) qui est la perfection même, un des plus belles pierres de la musique occidentale, ou le Pâtre sur le Rocher, classique, certes, et tout cela fait une heure et quart de la plus belle musique qui soit. (Franz Schubert (1798 - 1828) - Lieder: Barbara Bonney (soprano), Geoffrey Parsons (piano), Sharon Kam (clarinete, por Shepherd no Rock).
(«Um recital maravilhoso, começando com a Ave Maria no que é certamente uma de suas melhores versões destas músicas que seguem eu descrevo como milagroso, apesar de eu não acreditar em milagres, em tudo, à medida que se aproxima a perfeição , as músicas que você pode ouvir e ouvir indefinidamente sem se cansar, como Marguerite neste Rouet (Gretchen am Spinrade), que é a própria perfeição, uma das mais belas pedras da música ocidental, ou pastor no rock, clássica, certamente, e é tudo um quinze das mais belas da música nunca.)»
http://youtu.be/OXXoBsLO9Iw
(Antoine de Saint-Exupéry)
Franz Schubert (1798 - 1828) - Lieder : Barbara Bonney (soprano), Geoffrey Parsons (piano), Sharon Kam (clarinette, pour le Pâtre sur le rocher). Un merveilleux récital, commençant par l'Ave Maria dans ce qui est certainement une de ses plus belles versions, suivi de ces lieder que je qualifierais volontiers de miraculeux, bien que je ne croie pas du tout au miracle, tant ils approchent de la perfection, des lieder qu'on peut écouter et réécouter indéfiniment sans se lasser, comme cette Marguerite au Rouet (Gretchen am Spinrade) qui est la perfection même, un des plus belles pierres de la musique occidentale, ou le Pâtre sur le Rocher, classique, certes, et tout cela fait une heure et quart de la plus belle musique qui soit. (Franz Schubert (1798 - 1828) - Lieder: Barbara Bonney (soprano), Geoffrey Parsons (piano), Sharon Kam (clarinete, por Shepherd no Rock).
(«Um recital maravilhoso, começando com a Ave Maria no que é certamente uma de suas melhores versões destas músicas que seguem eu descrevo como milagroso, apesar de eu não acreditar em milagres, em tudo, à medida que se aproxima a perfeição , as músicas que você pode ouvir e ouvir indefinidamente sem se cansar, como Marguerite neste Rouet (Gretchen am Spinrade), que é a própria perfeição, uma das mais belas pedras da música ocidental, ou pastor no rock, clássica, certamente, e é tudo um quinze das mais belas da música nunca.)»
http://youtu.be/OXXoBsLO9Iw
Schubert and Fischer-Dieskau
Franz Schubert (1797 - 1828)
Balitone - Dietrich Fischer-Dieskau (1925 - 2012)
Piano - Gerald Moore (1899 - 1987)
1. Eine Leichenphantasie, D 7 (00:00)
2. Der Vatermörder, D 10 (19:15)
3. Der Jüngling am Bache, D 30 (24:55)
4. Totengräberlied, D 44 (28:25)
http://youtu.be/4hVmA6Ka_Wo*************http://youtu.be/c5pbygAq8fA
Schubert-Die Winterreise D 911
Winterreise (Viagem de Inverno) é um ciclo de 24 arranjos musicais, composto em 1827 por Franz Schubert sobre poemas de Wilhelm Müller. Foi o segundo dos três ciclos de canções escritos pelo compositor (sendo o primeiro Die Schöne Müllerin e o terceiro Schwanengesang). Segundo o próprio Schubert, tratava-se do seu preferido. Foi escrito originalmente para tenor, mas é frequentemente transposto para outras vozes. http://youtu.be/c8UDOmUcxCk***************http://pt.wikipedia.org/wiki/Winterreise
Il Turco in Italia
Lawrence BROWNLEE Tenor
Gioacchino Rossini (1792-1868)
Il Turco in Italia
Recitativo Intesi : ah! Tutto intesi
E Aria Narciso Tu seconda il mio disegno
http://youtu.be/wDn5NgOZC5k
Gioacchino Rossini (1792-1868)
Il Turco in Italia
Recitativo Intesi : ah! Tutto intesi
E Aria Narciso Tu seconda il mio disegno
http://youtu.be/wDn5NgOZC5k
MIGNON
J. W. Goethe
[Frankfurt am Main, Alemanha, 1749-1832]
MIGNON
...
Conheces o país onde floresce o limoeiro?
Por entre a rama escura ardem laranjas de ouro,
Do céu azul sopra um arzinho ligeiro,
Eis se ergue a murta calma, olha o altivo louro!
Conheces?
Oh! Partir! Partir Pra lá contigo, Amado! Oh! quem me dera ir!
E conheces a casa? – Tecto em pilares assente: A sala resplandece, o quarto é reluzente; E estátuas de mármore fixam em mim o olhar: “Minha pobre menina, quem te fez chorar?” Conheces?
Oh! Partir! Partir, Meu Protector, contigo! Oh! quem me dera ir!
E conheces o monte e, entre nuvens, seu carreiro? A mula busca o trilho por entre o nevoeiro: Em grutas mora a velha raça dos dragões; Despenham-se rochedos e torrentes em cachões. Conheces?
Para lá vejo ir Nosso caminho!
O Pai, vamos partir!
[Tradução de Paulo Quintela]
http://youtu.be/cmzscJs43jY
[Frankfurt am Main, Alemanha, 1749-1832]
MIGNON
...
Conheces o país onde floresce o limoeiro?
Por entre a rama escura ardem laranjas de ouro,
Do céu azul sopra um arzinho ligeiro,
Eis se ergue a murta calma, olha o altivo louro!
Conheces?
Oh! Partir! Partir Pra lá contigo, Amado! Oh! quem me dera ir!
E conheces a casa? – Tecto em pilares assente: A sala resplandece, o quarto é reluzente; E estátuas de mármore fixam em mim o olhar: “Minha pobre menina, quem te fez chorar?” Conheces?
Oh! Partir! Partir, Meu Protector, contigo! Oh! quem me dera ir!
E conheces o monte e, entre nuvens, seu carreiro? A mula busca o trilho por entre o nevoeiro: Em grutas mora a velha raça dos dragões; Despenham-se rochedos e torrentes em cachões. Conheces?
Para lá vejo ir Nosso caminho!
O Pai, vamos partir!
[Tradução de Paulo Quintela]
"Aprendi a não tentar convencer ninguém."
"Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro." José Saramago
José Saramago http://youtu.be/KehwyWmXr3U
José Saramago http://youtu.be/KehwyWmXr3U
Mantenho o silêncio
Dois poemas de Sofia Champlon de Barros:
***
És
sela quente onde o meu querer se agita,
Alazão bravo sobre o qual me inclino,
Boca entreaberta, em gula infinita.
Traças com a língua um trilho que desperta
Mantenho o silêncio
As palavras valem o que valem.
Palavras prometidas podem nada contra a inércia da vontade.
No desencanto, não há brilho que as palavras possam conferir ao olhar.
A dor da fome não se alimenta com palavras.
A mais bela poesia não confere colorido a uma alma enlutada.
O desamparo precisa de um abraço permanente, de um carinho coerente, não quer saber de palavras.
Palavras não saram o arrependimento nem desfazem o erro.
Gosto do olhar.
Regozijo-me no abraço.
Sorrio enlevada por acordes musicais.
Saboreio o calor do Sol na pele, a luz que acorda sensações.
Gravo na memória a gargalhada infantil dos meus amores.
Deixo-me ficar no rumorejar das ondas num namoro eterno com a areia.
Prezo a atitude.
Desprezo tantas palavras…
Sofia Champlon de Barros
***
Sob
as coxas com que te cinjo e ensino,
Alazão bravo sobre o qual me inclino,
Boca entreaberta, em gula infinita.
Traças com a língua um trilho que desperta
Em
mim o cio bêbado de fêmea acesa
Monto-te
livre, vibrante, aberta,
Enquanto
me domas, nas tuas mãos presa.
Somos
corcéis trotando contra o vento
Esporeando-se
em loucura repentina,
Cavalgamos,
rédeas soltas, ao relento,
No
peito o fogo, nas tuas mãos a crina.
Investimos
todo o fôlego na corrida
Vertigem
galopante, desenfreada
E
serenamos da derradeira investida
Na
mansa plenitude da madrugada.
Sofia Champlon de Barros
http://youtu.be/iNOpDZ7k98Q
Se você pode fazê-lo, persista
"La pelicula El camino del guerrero pacifico inspirada en la vida de Dan Millman , es una película llena de frases inspiradoras a las que hemos llamado frases celebres cada una de estas frases encierra una gran enseñanza."
El
Guerrero Pacífico - Si Puedes Hacerlo - Persevera ( Se você pode fazê-lo, persista)
http://youtu.be/XHawcKfN9wA
http://youtu.be/oqebVbYlTWM
Perdi o bonde
e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
por que não? na noite escassa
nós gritamos: sim! ao eterno.
Carlos Drummond de Andrade
***
"Depois de quatro anos de treinamento com o velho guerreiro a quem chama de Sócrates – e a despeito de tudo que aprendeu – Dan Millman vê-se diante de fracassos pessoais e crescentes frustrações. Desiludido com a vida e sem se sentir capaz de concialiar conhecimento com ação, parte para uma busca pelo mundo para reencontrar seu objetivo e sua fonte de inspiração. Um lembrança inesperada o leva a procurar e a encontrar uma mulher xamã nas profundezas da floresta tropical do Havaí. Ela o conduz de volta à esperança e o leva a encarar seus medos, preparando-o para o que ainda haveria de acontecer."
Poder Alem da Vida completo dublado em português/br
v/
http://youtu.be/tQnkFvhSzgk
Guerrero Pacífico - Si Puedes Hacerlo - Persevera ( Se você pode fazê-lo, persista)
http://youtu.be/XHawcKfN9wA
http://youtu.be/oqebVbYlTWM
Soneto da perdida esperança
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a
ladeira lenta
em que os
caminhos se fundem.Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se
estou sofrendo
ou se é
alguém que se divertepor que não? na noite escassa
com um
insolúvel flautim.
Entretanto há
muito temponós gritamos: sim! ao eterno.
P.S. Dedicado ao miúdo que as câmaras focaram
chorando amargamente no Jamor a derrota do seu Benfica. (jmv)
***
"Depois de quatro anos de treinamento com o velho guerreiro a quem chama de Sócrates – e a despeito de tudo que aprendeu – Dan Millman vê-se diante de fracassos pessoais e crescentes frustrações. Desiludido com a vida e sem se sentir capaz de concialiar conhecimento com ação, parte para uma busca pelo mundo para reencontrar seu objetivo e sua fonte de inspiração. Um lembrança inesperada o leva a procurar e a encontrar uma mulher xamã nas profundezas da floresta tropical do Havaí. Ela o conduz de volta à esperança e o leva a encarar seus medos, preparando-o para o que ainda haveria de acontecer."
Poder Alem da Vida completo dublado em português/br
v/
http://youtu.be/tQnkFvhSzgk
Bab Aziz (el sabio sufí) VOSE
"2005 DIRECTOR Nacer Khemir..Dos siluetas caminan por el desierto: la joven Ishtar (Maryam Hamid) y Bab Aziz (Parviz Shahinkhou), su abuelo ciego. Su destino es la gran reunión de derviches (miembros de una hermandad religiosa) que tiene lugar una vez cada treinta años. Pero para encontrar el lugar en el que se celebrará esta reunión hay que tener fe y saber escuchar el infinito silencio del desierto. En su viaje a través de la cegadora extensión de arena, se cruzan con Osman (Mohamed Grayaa), que sufre por volver a ver a la bella joven que un día encontró en el fondo de un pozo; con Zaid (Nessim Kahloul), cuyo canto hizo que recuperara la belleza que había perdido; y con un príncipe que abandona su reino para convertirse en derviche. El desierto es amigo de los derviches, por tanto revelará a Bab Aziz el secreto que buscan: el lugar de la gran reunión."
http://youtu.be/5jlW2xqhvPA
domingo, 26 de maio de 2013
Rose
Rose oh rose, where have you gone
You promised you'd be back at dawn
Rose oh rose, I should have known
That you would leave me all alone
Rose oh rose, what did I say
To make you want to go away
Rose oh rose, what must I do
Without you here I feel so blue
Rose oh rose, come back to me
I need your beauty to set me free
Rose oh rose, I see you now
Dead and withered and I don't know how
Rose oh rose, I miss you so
I wish you didn't have to go
Rumi
http://youtu.be/PeKfZlBBa7k
Aprecie o Silêncio
Palavras como violência
Quebram o silêncio
Vem destruindo
O meu mundinho
Doloroso para mim
Perfura através de mim
Você não consegue entender
Oh, minha garotinha
Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar
Promessas são feitas
Para serem quebradas
Emoções são intensas
Palavras são insignificantes
Os prazeres ficam
E a dor também
Palavras são sem sentido
E são esquecíveis
Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar
Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar
Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas podem só machucar
Aprecie o silêncio...
http://youtu.be/wfXZDZJR0Wo
Tycho - Dive (mergulho)
Você está aqui para permitir
que o objectivo divino do Universo se desenrole.
Compreende agora como você é importante?
- ECKHART TOLLE
http://youtu.be/Z6ih1aKeETk
ANGÚSTIA E TRANSMUTAÇÃO...
"Duas conchas conversavam na beira da praia, quando uma disse:
- Não sei o que há, tenho algo dentro de mim que pesa, incomoda e angustia.
A outra respondeu:
- Não sinto nada, estou sempre bem.
Um caranguejo, que ouviu a conversa, se aproximou da concha que sofria e disse:
- O que te pesa, arranha e faz sofrer, nada mais é do que uma pérola que lapidas dentro de ti."
"Duas conchas conversavam na beira da praia, quando uma disse:
- Não sei o que há, tenho algo dentro de mim que pesa, incomoda e angustia.
A outra respondeu:
- Não sinto nada, estou sempre bem.
Um caranguejo, que ouviu a conversa, se aproximou da concha que sofria e disse:
- O que te pesa, arranha e faz sofrer, nada mais é do que uma pérola que lapidas dentro de ti."
http://youtu.be/Z6ih1aKeETk
FREDERIC CHOPIN - Waltz No. 10 in B minor, Op. 69
"Levantei os olhos para ver quem
falava. Mas apenas ouvi as vozes
combaterem. E vi que era no Céu
e na Terra. E disseram-me: Solombra."
Cecília Meireles (1963)
http://youtu.be/n76wofQ_8h4
"As mãos negativas"
"As mãos negativas", de Marguerite Duras, na
tradução de Miguel Serras Pereira:
"Chamam-se mãos negativas as pinturas de mãos encontradas nas grutas magdalenenses da Europa Sul-Atlântica. O contorno destas mãos – pousadas inteiramente abertas na pedra – recebeu um revestimento de cor. As mais das vezes de azul, de negro. Por vezes de vermelho. Não se encontrou qualquer explicação para esta prática.
Diante do oceano
Sob a falésiaSobre a parede de granito
estas mãos
Azuis
E negras
Do azul da água
Do negro da noite
O homem chegou só à grutaFrente ao oceano
Todas as mãos têm o mesmo tamanho
Ele estava só
O homem só na gruta olhou
no ruídono ruído do mar
a imensidão das coisas
E gritou
Tu que és nomeado tu que és dotado de identidade eu amo-te
Estas mãos
do azul da águado negro do céu
Lisas
Pousando rasgadas no granito cinzento
Para que alguém as tenha visto
Eu sou aquele que chama
Eu sou aquele que
chamava que gritava há trinta mil anos
Eu amo-te
Eu grito que quero amar-te, eu amo-teAmarei quem quer que me ouça gritar
Na terra vazia ficarão estas mãos sobre a parede de granito frente ao fragor do oceano
Insustentável
Ninguém mais ouvirá
Nem verá
rinta mil anos
Essas mãos, negras
A refração da luz no mar faz fremir a parede de pedra
Eu sou alguém eu sou aquele que chamava que gritava nesta
luz branca
O desejo
A palavra não foi ainda inventada
Olhou a imensidão das coisas no fragor das vagas, a
imensidão da sua força
E depois gritou
Por cima dele as florestas da Europa,sem fim
Ele permanece no centro da pedra
dos corredores
das estradas de pedrade todos os lados
Tu que és nomeado tu que és dotado de identidade eu amo-te
com um amor indefinido
Era preciso descer a falésiavencer o medo
O vento sopra do continente repele
o oceano
As vagas lutam contra
o vento
Avançam
travadas pela sua
forçae pacientemente alcançam
a parede
Tudo se esmaga
Eu amo-te mais longe que tu
Amarei quem quer que
me ouça gritar que te amo
Trinta mil anos
Eu chamo
Eu chamo aquele que me responderáEu quero amar-te eu amo-te
Há trinta mil anos grito diante do mar o espectro branco
Eu sou aquele que gritava que te chamava, a ti"
Marguerite Duras (1978)
Art by Karen Hollingsworth
http://youtu.be/ELfduUvVSAI
Portugal visto por Lobo Antunes
«Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver: - Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro - Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima - Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos semdificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto. Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.»
Greg Haines — Nueblo Pueblo
"Em
cada descoberta
o explodir de um filho.
Brasas por dentro
e a vida em seus trilhos."
Lupe Cotrim Garaude
"O processo do querer e do desejar está no cerne do fenómeno do consumo moderno." - (Bauman)
http://youtu.be/VPXllHNxjZU
o explodir de um filho.
Brasas por dentro
e a vida em seus trilhos."
Lupe Cotrim Garaude
"O processo do querer e do desejar está no cerne do fenómeno do consumo moderno." - (Bauman)
http://youtu.be/VPXllHNxjZU
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