sábado, 26 de outubro de 2013

"Hoje podes deitar-te na minha cama"

"Hoje podes deitar-te na minha cama
 e contar-me mentiras - dizer, não sei,
 que o amor tem a forma da minha mão
 ou que os meus beijos são perguntas que
 não queres que ninguém te faça senão
 eu; que as flores bordadas na dobra do
 meu lençol são de jardins perfeitos que
 antes só existiam nos teus sonhos; e que
 na curva dos meus braços as horas são
 mais pequenas do que uma voz que no
 escuro se apagasse. Hoje podes rasgar
 cidades no mapa do meu corpo e
 inventar que descobriste um continente
 novo - uma pátria solar onde gostavas
 de morrer e ter nascido. Eu não me
 importo com nada do que me digas esta
 noite: amo-te, e amar-te é reconhecer o
 pólen excessivo das corolas, o seu vermelho
 impossível. Mas amanhã, antes de partires,
 não digas nada, não me beijes nas costas
 do meu sono. Leva-me contigo para sempre
 ou deixa-me dormir - eu não quero ser
 apenas um nome deitado entre outros nomes."

Maria do Rosário Pedreira









  http://celaviewithme.blogspot.pt/

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