segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As migalhas e os pássaros


As migalhas e os pássaros

A Ernesto Sábato

No centro do mundo marcado pela água

o chiado – fixo, vaporoso – das cigarras

e galanteios, aqui chamados “quiebraplatos”;

entre a bruma solar que apenas se perfila

os pássaros declaram um vivo estuário de pão.

Quem, nesse feito, reparte a recompensa?

Importa ao cacique a ressurreição do jardim?

Depois – sem coerção nem tributos – eles retomam,

frondosos, o céu conveniente a seu vôo.

Um ato criador aprovado devotamente

por Emily Dickinson e até Eugenio Montale

que negocia robusto com fragmentos humanos,

nesse tempo único de tumbas e heróis.

E serve tão somente para livrar de culpa

e subscrever ternamente o papel da vida.
 
Jorge Lobillo

  http://www.academia.org.br/abl/media/RB%2056-POESIA%20ESTRANGEIRA.pdf http://www.youtube.com/watch?v=50l_RjatpOA

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