As migalhas e os pássaros
No centro do mundo marcado pela água
o chiado – fixo, vaporoso – das cigarras
e galanteios, aqui chamados “quiebraplatos”;
entre a bruma solar que apenas se perfila
os pássaros declaram um vivo estuário de pão.
Quem, nesse feito, reparte a recompensa?
Importa ao cacique a ressurreição do jardim?
Depois – sem coerção nem tributos – eles retomam,
frondosos, o céu conveniente a seu vôo.
Um ato criador aprovado devotamente
por Emily Dickinson e até Eugenio Montale
que negocia robusto com fragmentos humanos,
nesse tempo único de tumbas e heróis.
E serve tão somente para livrar de culpa
e subscrever ternamente o papel da vida.
http://www.academia.org.br/abl/media/RB%2056-POESIA%20ESTRANGEIRA.pdf http://www.youtube.com/watch?v=50l_RjatpOA
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