terça-feira, 20 de agosto de 2013

No meu tempo



No meu tempo era a rua,
 A melhor escola das crianças,
 Porque era na rua que se viam
 Mestres e artífices,
 Entregues aos seus ofícios,
 Homens valentes,
 Donos
 E senhores de si,
 Mas também loucos,
 Bêbados e vagabundos.
 No meu tempo era a rua,
 E na minha rua,
 Uma criança via de tudo,
 E com tudo aprendia e crescia,
 Rasgos de inteligência ou sorte,
 Histórias de valentia ou cobardia,
 Actos heróicos, de drama
 Comédia ou tragédia,
 De fazer inveja
 Às mais belas
 E empolgantes,
 Peças de teatro antigas;
 No meu tempo era a rua,
 E era certo que uma criança
 Que tudo visse
 E com tudo aprendesse,
 Na minha rua,
 Haveria de crescer,
 Para ser alguém na vida,
 Ou então, esmorecia e entristecia
 Por não poder ficar para sempre criança,
 A ver tudo, o que havia para viver na vida
 A aprender e a desaprender com quase tudo,
 O que havia para lembrar ou esquecer na vida.

MA, SobreViver, Esfera do Caos, 2013, pp. 101-102.

POEMA-ORAÇÂO

«Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade,
teu é o hoje e o amanhã,
o passado e o futuro.
Ao acabar mais uma semana...

quero te dizer obrigado por tudo aquilo
que recebi de ti.
Obrigado pela vida e pelo amor,
pelas flores, pelo ar e pelo sol,
pela alegria e pela dor,
pelo que foi possível e pelo o que não foi.
Ofereço-te tudo o que fiz nesta semana
o trabalho que pude realizar,
as coisas que passaram pelas minhas mãos
e o que com elas pude construir.
Senhor Deus......
Apresento-te as pessoas
que nestes dias amei,
as amizades novas e os antigos amores.
Os que estão perto de mim
e aqueles que pude ajudar,
os com quem compartilhei a vida,
o trabalho, a dor e a alegria.
Mas também Senhor,
hoje eu quero te pedir perdão.
Perdão pelo tempo perdido,
pelo dinheiro mal gasto,
pela palavra inútil
e o amor desperdiçado.
Perdão pelas obras vazias
e pelo trabalho mal feito,
perdão por viver sem entusiasmo.
Também pela oração que aos poucos fui adiando
e que agora venho apresentar-Te
por todos os meus olvidos,
descuidos e silêncios
novamente Te peço perdão.
Te apresento estes dias que desta nova semana
somente Tu sabes se chegarei a vivê-los.
Hoje Te peço por mim, meus parentes e amigos,
a paz e a alegria
a fortaleza e a prudência,
a lucidez e a sabedoria.
Quero viver cada dia com otimismo e bondade,
levando a toda parte um coração
cheio de compreensão e paz.
Fecha meus ouvidos a toda falsidade
e meus lábios às palavras mentirosas,
egoístas ou que magoem.
Abre sim, o meu ser a tudo o que é bom.
Que o meu espírito seja repleto de bênçãos
para que eu as derrame por onde passar.
Senhor, a meus amigos e amigas que estão lendo esta
oração,
enche-os de sabedoria, paz e amor
e que nossa amizade dure para sempre
em nossos corações.
Enche-me também de bondade e alegria,
para que todas as pessoas que eu encontrar
no meu caminho, possam descobrir em mim
um pouquinho de Ti.
Dá-nos um semana feliz e
ensina-nos a repartir a felicidade.
Amém!»


São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja e grande devoto da Virgem Maria

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

José Afonso - Teresa Torga



Letra e música: Zeca Afonso In: "Com as minhas tamanquinhas" No centro a da Avenida No cruzamento da rua Às quatro em ponto perdida Dançava uma mulher nua A gente que via a cena Correu para junto dela No intuito de vesti-la Mas surge António Capela Que aproveitando a barbuda Só pensa em fotografá-la Mulher na democracia Não é biombo de sala Dizem que se chama Teresa Seu nome e Teresa Torga Muda o pick-up em Benfica Atura a malta da borga Aluga quartos de casa Mas já foi primeira estrela Agora é modelo à força Que a diga António Capela T'resa Torga T'resa Torga Vencida numa fornalha Não há bandeira sem luta Não há luta sem batalha

http://youtu.be/dadXXdbyd0Q

Canção Da América - Milton Nascimento



Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.


http://youtu.be/OlcQE4NeXow

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, pude compreender que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.
 
Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que aconteceu contribuiu para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado, inclusive eu mesmo.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo. Minha razão chamou isso de egoísmo, mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos distantes. Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão, e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar, mas quando eu a coloco a serviço do meu coração ela se torna uma grande e valiosa aliada.

K. e A. McMillen

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Lou Donaldson - Gravy Train

http://youtu.be/Sy0xqSzIJ1g

A magnólia

A exaltação do mínimo
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu esplendor

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala -

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdida na tempestade,

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim

Luiza Neto Jorge, em "O seu a seu tempo"

sábado, 3 de agosto de 2013

Alberto García-Alix e a sua obra fotográfica

"Sobre Alberto García-Alix e a sua obra fotográfica o que tenho a dizer é que é poderosa, desce aos infernos da existência humana, fere, agride, corta com lâminas rombudas, é frontal nos seus retratos aos outros, oferece-nos o seu "eu" nos magníficos auto-retratos e enfia-nos duas boas bofetadas na cara. Não se sai ileso de uma exposição do grande Alix, um sobrevivente da vida.
No suplemento Atual do jornal Expresso de 22 de Junho sai uma entrevista ao resistente fotógrafo." (in http://numfilmedegodard.blogspot.pt/2013/06/alberto-garcia-alix.html)

A sua exposição "Pátria Querida" pode ser vista, até 18 de Agosto, no Museu da Electricidade.

Vejam mais em: http://www.albertogarciaalix.com/

A língua que os livros falam

Coisas que não há que há

Manuel António Pina


Uma coisa que me põe triste

é que não exista o que não existe.

(Se é que não existe, e isto é que existe!)

Há tantas coisas bonitas que não há:

coisas que não há, gente que não há,

bichos que já houve e já não há,

livros por ler, coisas por ver,

feitos desfeitos, outros feitos por fazer,

pessoas tão boas ainda por nascer

e outras que morreram há tanto tempo!

Tantas lembranças de que não me lembro,

sítios que não sei, invenções que não invento,

gente de vidro e de vento, países por achar,

paisagens, plantas, jardins de ar,

tudo o que eu nem posso imaginar

porque se o imaginasse já existia

embora num sítio onde só eu ia...

A história do contador de histórias

 
v/
Números Especiais
XVIII Encontro de Literatura para Crianças
Julho 2010
PALAVRA DE TRAPOS - a língua que os livros falam

http://www.leitura.gulbenkian.pt/boletim_cultural/files/Especiais_Julho_2010.pdf

http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=boletim&task=view&id=222

M.A_pina


«Manuel António Pina foi em 2011 distinguido com o Prémio Camões, um dos maiores galardões da Língua Portuguesa. Não foi só o reconhecimento do valor da sua poesia que esteve em causa, mas também o trabalho dedicado à escrita para crianças, ou melhor, todo um trabalho efectivo da linguagem, que se manifesta em diferentes usos, em diferentes plasticidades.
O último livro de poesia editado por Pina, Os Livros, saíra em 2003, pelo que este prémio terá sublinhado a urgência desta antologia pessoal, que reorganiza os poemas numa sequência nova, da responsabilidade do próprio poeta, longe de condicionalismos ou propósitos cronológicos. Dos seus treze livros de poesia, encontramos representados cerca de nove; os poemas de Os Livros estão entre os que assumem uma maior representatividade, como seria aliás expectável. Aliás, tanto a epígrafe como os poemas inicial e final pertencem a essa recolha de 2003, que deposita a sua reflexão central na linguagem, nas palavras, essas «formas indecisas/ procurando um eixo que/ lhes dê peso»
Encontramos concentrada neste pequeno volume o que parece constituir a súmula da poesia e da poética de Manuel António Pina: a reflexão irónica, mas não distanciada, sobre a morte e a consciência da língua como matéria de simultânea construção e de erosão da própria realidade. E, neste aspecto, o poema que inaugura o livro, necessariamente uma «Arte Poética», acaba por resgatar esta consciência de que só pela postura irónica (que sob o riso e o humor esconde uma toada também amarga e dolente) se faz a significação da palavra poética. Alguns dos mais belos poemas de Manuel António Pina, com uma certa resistência desconfiada perante a poesia, estão presentes na antologia. É o caso de «Saudade da prosa», que empresta mesmo o título ao livro, ou o poema «a Um jovem poeta»: «Procura a rosa./ Onde ela estiver/ estás tu fora/ de ti. Procura-a em prosa, pode ser/ que em prosa/ ela floresça/ ainda/ sob tanta/ metáfora.». Também marca presença o vaticínio irónico que nos dizia desde os anos 70, no primeiro livro de poesia de M. António Pina, que «a poesia vai acabar, os poetas/ vão ser colocados em lugares mais úteis.». E não se poderia, nesta, que é uma antologia pessoal, ignorar-se o poema «Numa estação de Metro», com os versos inesquecíveis «A minha juventude passou e eu não estava lá./ Pensava noutra coisa, olhava noutra direcção./ os melhores anos da minha vida perdidos por distracção.».
Uma antologia que bem reúne o espírito da poesia de Pina, e que, parafraseando o poema «Ferida»», junta pedaços de todos os seus livros para «desimaginar o mundo, descriá-lo/ amarrado ao mastro mais altivo/ do passado.» (Rita Taborda Duarte)


via
http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=30845

A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.



Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

PEDIDO DE PERDÃO

DOMANDA DI PERDONO

Molte volte ho turbato
la chiara tua pace divina
e molti degli oscuri,
profondi mali della vita
hai appreso da me.

Dimentica, perdona; come la nube
davanti alla placida luna io passo,
tu ritorni a splendere
in calma bellezza, tu dolce luce.


 (FRIEDRICH HOLDERLIN)



PEDIDO DE PERDÃO

Muitas vezes perturbado
limpar sua paz divina
e muitos do escuro,
profundos males da vida
você aprendeu de mim.

Esquecer, perdoar, como a nuvem
Eu passo na frente da lua plácida,
você voltar a brilhar
em beleza calma, tua doce luz.


  (Friedrich Hölderlin)


http://youtu.be/v0mpEK9btGM

Sense & Sensibility 1995

http://youtu.be/uHUxyZ6DST0

The Serpent's Egg - (O ovo da serpente)

Um filme histórico, mas também profético, que pode ser visto como uma metáfora dos dias de hoje.

El huevo de la serpiente, L'oeuf du serpent, O Ovo da Serpente, Jajo weza (1977). - Ingmar Bergman's The Serpent's Egg follows a week in the life of Abel Rosenberg, an out-of-work American circus acrobat living in poverty-stricken Berlin following Germany's defeat in World War I. When his brother commits suicide, Abel seeks refuge in the apartment of an old acquaintance Professor Veregus. Desperate to make ends meet in the war-ravaged city, Abel takes a job in Veregus' clinic, where he discovers the horrific truth behind the work of the strangely beneficent professor and unlocks the chilling mystery that drove his brother to kill himself. ----------------------------------------­--------------------------------- En el Berlín de los años veinte, un médico nazi lleva a cabo atroces experimentos utilizando como cobayas a indigentes y marginados. (FILMAFFINITY)



http://youtu.be/PTKIEr6V__k
" Deus nos livre do vilão com a vara na mão!"

Kings of Convenience - Declaration of Dependence

http://youtu.be/-fRo6kvfYWQ

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

♥♥♥ Mike Oldfield ♥♥♥

X---II.....♥♥♥  A nossa  música! Sente-a...

"...muitos optaram pelo silêncio"

"A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são sintomas de um mal maior que afecta a sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a nossa natural propensão para nos divertirmos. No passado, a cultura foi uma espécie de consciência que impedia o virar as costas à realidade. Agora, actua como mecanismo de distracção e entretenimento. A figura do intelectual, que estruturou todo o século XX, desapareceu do debate público. Ainda que alguns assinem manifestos e participem em polémicas, o certo é que a sua repercussão na sociedade é mínima. Conscientes desta situação, muitos optaram pelo silêncio." Mário Vargas Llosa



1."In the Beginning" -- 00:00
 2."Let There Be Light" -- 01:24
 3."Supernova" -- 06:21
 4."Magellan" -- 09:46
 5."First Landing" -- 14:26
 6."Oceania" -- 15:43
 7."Only Time Will Tell" -- 18:08
 8."Prayer for the Earth" -- 23:29
 9."Lament for Atlantis" -- 25:38
 10."The Chamber" -- 28:22
 11."Hibernaculum" -- 30:12
 12."Tubular World" -- 33:43
 13."The Shining Ones" -- 37:08
 14."Crystal Clear" -- 40:05
 15."The Sunken Forest" -- 45:46
 16."Ascension" -- 48:25
 17."A New Beginning" -- 54:15


Description: On this album Mike Oldfield took one of the novels of Arthur C. Clarke for inspiration. The book's argument is as follows, and scientists have discovered that our sun will explode by the year 3600 and with the intention of avoiding the destruction of the human race began to send ships planters for new habitable planets with In order to reestablish civilization. Magellan is the name of the last ship drill, it aims to Sagan-Two, but before it will stop at Thalassa, planet we built a shield based ice sheets to protect the ship, before continuing their long journey to Sagan-Two.
Beginning: Despite its no relation to the book we are dealing with an original introduction that presents a musical form that air of semi-organic seedships by the sounds of whales, also cited the first words of Genesis that in contrast in the novel indicates that no Bibles were transported to avoid corrupting the minds of future generations.
Let There Be Light: but neither is directly related to the story this issue is 100% sound Oldfield, is a song with a touch of pure crystalline guitar, has a very dynamic pace and expresses so overpowering it could be a trip in one of these ships, is the melody of space travel dream.
Magellan: the beginning of this topic is a "sonic boom" is the departure of the last drill ship, the "Magellan" main melody played on a bagpipe, an instrument unusual in this type of music, but Mike Oldfield is responsible to fit it perfectly giving it a touch harder and more earthly, is the departure of the ship, the time is still not out of the atmosphere, is the show ... seeing the last ship that takes off from the Earth to colonize other places.
Oceania: Another of my great and expected moments after the end of "First Landing" Thalassa landed on a planet consisting of a 90% water, so Oceania and Thalassa is much the same. This is a very quiet, has a peaceful and relaxing sound during the song you can hear the sound of seagulls and waves melting in the beach sand. Here is the melody of "Let There Be Light" but with another development.
Only Time Will Tell: beautiful phrase that is to say that everything can change when least expected (Only time will tell). Mike Oldfield is saying that phrase over a background point theme (think guitar) and which is repeated over and over again ... (the good thing is that is not repetitive) and it creates an atmosphere of hope, to lead a chorus that come to represent the whole human race, records can be heard female, male (the Mike Oldfield) and even neutral (as if they were children) in a pleading tone as if we all wait ... something to happen.
Hibernaculum: Another big issue, we have a Gregorian chant a little peculiar, with a touch-mail and all seasoned with the best sound Oldfield by his guitar, this topic represents the hibernation room where "rest" in around one million people:.
Tubular World: we are facing an issue that has nothing to do with the novel but is in keeping with the album, Mike Oldfield this creates its own world inspired by a video game, takes its popular "tubular chorus" and modify it to the time using its arsenal of recording and editing. One of the most currados in sound and effects.
Crystal Clear: last major theme of this great work, very relaxing on a background we can hear the voice of Mike Oldfield and other voices sampled at rate "relax" a beautiful melody on guitar we will introduce a countdown cited by Oldfield himself This comes to represent the final departure of the "Magellan" from "Thalassa" to "Sagan-Two", leading to another explosion with a sound that much more Oldfiled "Magellan" is the highlight of the "final" disc.


http://youtu.be/S95DzFvele8